Anabela dos Reis MoreiraIgualdade

All lives matter

Vivemos numa sociedade profundamente separatista. Gordos não servem, magros são anoréticos, mulheres são donas de casa, imigrantes uma ameaça e ficaria aqui em listas e mais listas.

Não adianta dizer que já não é assim. É ASSIM.

É assim e é legitimado pelo assassinato de George Floyd ocorrido em Mineápolis, Minesota, nos Estados Unidos da América. Foi nos EUA, mas poderia ter sido aqui, ali na casa ao lado. Foi um polícia, mas podia ter sido qualquer pessoa com uma arma e um complexo de superioridade que padece de uma estupidez extrema.

Por cá conhecemos muitas formas de racismo, de xenofobia e de intolerância: começa pela intolerância de ouvir, pela cegueira de ligar a títulos escandalosos vazios de conteúdos numa rede social qualquer.

Não aprendemos nada com a história.

Não temos memória do ontem.

Não sabemos ler e seguramente não sabemos escrever.

Não sabemos pensar.

Hoje li em várias redes sociais posts com a hashtag #blacklivesmatter. Claro que importam, todas as vidas importam e por isso temos tratados, convenções e declarações que nos dizem isso. Temos a Constituição da República Portuguesa que nos diz isso desde 1976 e temos muito mais para trás.

Mas continuo a dizer: havendo respeito não precisa haver direito.

Desde quando a cor da pele interfere no amor? Ou, desde quando a geografia que já nos separa, nos dá supremacia ou inferioridade? Desde quando uma etnia vale mais? Ou uma religião? E seguramente, desde quando deixamos de pensar nas coisas e de comunicar e reproduzimos estereótipos desta forma?

Não, não é #blacklivesmatter, simply because #alllivesmatter da mesma forma: em dignidade e em direitos. Não documentado, preto, branco, negro, mulato, amarelo, cabrito, mulher, homem, adulto, criança, astronauta ou educador: tem vida? Então importa. Na morte também!

E que a morte de 1 sirva para a vida de muitos! Que não sejam necessárias mais mortes para provar que só há 1 raça: a humana. Se somos racistas, negamos a nossa humanidade. Por isso #alllivesmatter #always.

Anabela dos Reis Moreira

Anabela dos Reis Moreira

A Anabela dos Reis Moreira é uma das associadas fundadoras da FENIKS e é uma FENIKS. Viajou por muitos países, conheceu muitas pessoas e muitos lugares. Aprendeu com todas as pessoas que observou e com quem conversou. Trabalhou em Portugal, na Bélgica, nos EUA e em Angola. Hoje desenvolve o seu trabalho na área da gestão de pessoas (recursos humanos), formação, coaching e mentoring. E escrita, adora escrever. Assumiu diferentes funções e colaborou com empresas em diferentes estados de maturação, quer em ambiente nacional, quer internacional. Desempenhou funções relacionadas com: gestão do talento e tarefas inerentes; gestão de recursos humanos em sentido lato e formação e desenvolvimento. A nível académico, estudou direito na Universidade de Coimbra, mas foi em Psicologia e no Porto que encontrou a sua verdadeira vocação. É certificada em Coaching, PNL e estuda todos os dias mais um pouco, vê mais um pouco, ouve mais um pouco para poder ser mais cultivada. Hoje gere a UpTogether Consulting e trabalha com pessoas, para pessoas. Faz programas de shaping leaders e reshaping leaders e gosta muito do que faz. Costuma dizer às crianças que forma enquanto voluntária em educação para os direitos humanos: “quando mais soubermos, quanto mais conhecemos e sentimos, menos somos enganados”. Enfrenta cada dia com uma enorme alegria que é simples de ver e sentir!

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