Anabela dos Reis MoreiraDireitos Humanos

Tens direitos? O que fizeste hoje para os ter e merecer?

Somos todos titulares de direitos. Temos personalidade jurídica e aquando do nosso nascimento completo e com vida, ficamos titulares de direitos. Tudo certo até aqui.

Há hoje uma cultura dos direitos e gosto muito disso. Trabalho todos os dias para que isso aconteça. Enquanto tiver força e voz, ninguém que chegue até mim será privado dos seus direitos. Todos os direitos. Todos.

Mas, o que fazemos nós todos os dias para merecer esses direitos? É um tema que me tem levado a pensar muito ultimamente.

Vou começar por experiência própria:

Um pai que abandona o filho e a mãe do filho para morrer e nega auxílio, tem direito ao filho? 

Os mais afincados e até eu diria: CLARO! Não é claro. Há no direito uma coisa chamada “intenção” e “presunção”. Sabendo que com a negação de auxílio a mulher pode perder o filho, pode inclusive morrer, que intenção há à partida do pai que abandonou? E que presunção podemos fazer no presente e no futuro? Nega auxílio no ventre mas depois vai-se compadecer quando nascer? Quem nos garante que vai? Quem nos garante que fará alguma coisa se o bebé precisar de auxílio também ele? Ninguém.

Assim, um pai que abandona um filho e a sua mãe e nega auxílio, diria que perdeu à partida os seus direitos de pai e de ser humano naquela situação. 

No futuro, como podemos aferir e confiar numa pessoa assim? Muito para pensar e muito para estudar ainda sobre comportamento humano e a sua capacidade efetiva de mudar.

A mesma coisa com a família do pai: nega auxílio e ainda se diverte e goza com a situação. Tem direito a estar e ver a criança? Não creio. Como podemos confiar que mudaram? Muito ainda para estudar e ver maneiras possíveis de viabilizar a mudança de comportamentos.

Um cidadão que reiteradamente não vota, não se informa, tem direito a criticar e desdenhar da política e decisões do seu país e chamar a isso liberdade de expressão?

A política e o estado são máquinas enormes, de uma complexidade incrível. Nem sempre percebemos as decisões e se não estivermos informados/as, seguramente não iremos perceber. Fazer parte de um partido político não é requisito, no entanto optar pelo melhor para liderar a máquina é imprescindível. Com isso vem a responsabilidade de nos informarmos sobre as pretensões políticas e de gestão de cada partido.

Simples é dizer que está mal, sem ver o que levou à decisão. Simples é condenar sem nada saber. E este é o padrão de quem não é informado.

Um colaborador que não trabalha, que trabalha mal, erradamente e prejudica o empregador, que nas costas difama gratuitamente o empregador, mas não sai porque lhe paga o salário e na frente é extremamente motivado sempre em cima do acontecimento, que direitos tem?

A meu ver, não tem. Mas para provar que não tem, tem de se andar em tribunais, aferir responsabilidades e muitas pessoas não estão para isso. Dizem que “a justiça tarda mas não falha” e eu acredito que sim, a justiça do universo (há quem chame karma), mas as instituições de justiça tardam e falham até porque são feitas por humanos que ainda que treinados, tardam e falham. Até a intolerância tarda e falha: falha connosco e falha aos outros.

Então, a injustiça fica do lado do empregador que paga e incentiva. As emoções não são “processáveis” em tribunal e o alegamente “forte” será sempre o opressor e o mau da fita.

Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade.

Falha a fraternidade, falha a dignidade e assim falha o direito e os direitos.

Temos todos direitos: inatos, inalienáveis. Façamos todos os dias para os merecer.

“I can’t breathe”, but I can speak! E assim farei enquanto puder. Falarei com a voz, a força e os dedos sobre como os pretensos “direitos” de outros matam os nossos. “I can’t breathe” sometimes, but I can speak.

Yes, I can.

Anabela dos Reis Moreira

Anabela dos Reis Moreira

A Anabela dos Reis Moreira é uma das associadas fundadoras da FENIKS e é uma FENIKS. Viajou por muitos países, conheceu muitas pessoas e muitos lugares. Aprendeu com todas as pessoas que observou e com quem conversou. Trabalhou em Portugal, na Bélgica, nos EUA e em Angola. Hoje desenvolve o seu trabalho na área da gestão de pessoas (recursos humanos), formação, coaching e mentoring. E escrita, adora escrever. Assumiu diferentes funções e colaborou com empresas em diferentes estados de maturação, quer em ambiente nacional, quer internacional. Desempenhou funções relacionadas com: gestão do talento e tarefas inerentes; gestão de recursos humanos em sentido lato e formação e desenvolvimento. A nível académico, estudou direito na Universidade de Coimbra, mas foi em Psicologia e no Porto que encontrou a sua verdadeira vocação. É certificada em Coaching, PNL e estuda todos os dias mais um pouco, vê mais um pouco, ouve mais um pouco para poder ser mais cultivada. Hoje gere a UpTogether Consulting e trabalha com pessoas, para pessoas. Faz programas de shaping leaders e reshaping leaders e gosta muito do que faz. Costuma dizer às crianças que forma enquanto voluntária em educação para os direitos humanos: “quando mais soubermos, quanto mais conhecemos e sentimos, menos somos enganados”. Enfrenta cada dia com uma enorme alegria que é simples de ver e sentir!

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