Anabela dos Reis MoreiraAutoresEntrevistas de Bastidores

Entrevista a Anabela dos Reis Moreira, Presidente da Direção da FENIKS ONGD

Hoje entrevistamos a Anabela, associada fundadora da FENIKS e editora executiva da FENIKS TODAY. Uma ativista dos Direitos Humanos pela educação e pela pedagogia da informação e da explicação e uma Educadora para os Direitos Humanos. Trabalha desde 1998 nesta área. Terá muito para nos dizer com certeza.

FENIKS TODAY: Olá Anabela, obrigada por nos permitires esta entrevista e gostávamos de saber mais sobre ti e sobre o teu percurso. Assim, a primeira pergunta que vamos fazer é: quem é a Anabela?

Anabela: há quem diga que sou uma caixinha de surpresas. Sou mesmo. Estudei direito na Universidade de Coimbra, mas foi na Psicologia, bem mais tarde, que encontrei a minha verdadeira vocação. Mais propriamente na Psicologia das Organizações e na Psicologia Social. Comecei a trabalhar na área dos Direitos Humanos muito cedo, ainda na Faculdade de Direito de Coimbra e no Centro de Direitos Humanos do Ius Gentium Conimbrigae. Era estudante e promovia com este centro cursos de verão para estudantes, na área dos Direitos Humanos. Mais tarde, assumo a posição de Presidente da ELSA – The European Law Students’ Association, a maior organização de estudantes de Direito na Europa e tenho oportunidade de exponenciar a atuação na área dos direitos humanos. Fui representante da ELSA na ONU e mais tarde venho a ser observadora da ONU na Cimeira Mundial de Desenvolvimento Sustentável. Continuo o meu percurso de promoção de Direitos Humanos na Humana Global, uma associação de direitos humanos de Coimbra que infelizmente não sobreviveu como associação (como tantas em Portugal). Com a Humana Global tive oportunidade de dar formação em direitos humanos em vários locais, incluindo na prisão de Coimbra e de Aveiro. Experiências incríveis. Passei pela Rádio, pela Mega Hits e trabalhei em pequenas, médias e grande empresas, em diferentes estados de maturação: Grupo Rumos (Galileu e Flag); Grupo Ideias Dinâmicas (ITGest); Netjets Europe; Jason Associates; Conselho da Europa entre outras organizações. Hoje tenho a minha própria empresa, a UpTogether Consulting e faço a gestão de várias marcas não só da minha empresa e propriedade nossa, mas também de empresas clientes. Marcas como a Stand UP Buzz, dedicada ao marketing digital, construção de páginas web, gestão de redes sociais; como a SAWABONA, onde escrevemos histórias para crianças à medida da criança; como a SHIKOBA, onde promovemos a palavra e a escrita. Seguro também a gestão da FENIKS. Sou uma pessoa bem-disposta e feliz. Aprendi muito com o meu percurso e ainda aprendo.

FENIKS TODAY: sabemos que gostas de viajar e que já viajaste por muitos países. O que trazes de cada viagem?

Anabela: Trago vontade de voltar aquele país, ver mais, sentir mais, aprender mais. Trago a vontade de voltar a casa também. Trago emoções, cultura e pessoas no coração. Trago inspiração. Já viajei por cerca de 50 países, muitos a nível profissional, outros a nível pessoal. O que mais impacto me causou até hoje, quer pela duração da estadia, quer pela cultura, quer pelo impacto, foi Angola. Trabalhei num grande projeto de Recursos Humanos com a EPAL – Empresa Pública das Águas de Luanda, EP, onde a aprendizagem foi enorme, a emoção maior ainda e as pessoas incríveis.

FENIKS TODAY: Porque é que a associação mudou o nome de Conceitos do Mundo para FENIKS? Como chegaram à primeira designação e porque é que mudaram a designação?

Anabela: Foi tão fácil chegar à primeira designação! Várias opiniões, vários conceitos por parte de várias pessoas que participaram da criação da associação, vários conceitos dos direitos humanos e ainda assim direitos + humanos. Conceitos, Humanos, Mundo, Conceitos do Mundo!

No ano passado, 2019, foi um ano macabro para mim em termos pessoais. Relato tudo num artigo no meu website pessoal. E perdi muita gente que achava boa, que se fazia de boa, mas basicamente porque podiam dar formação para a FENIKS e podiam beneficiar das pessoas que eu conhecia e a quem intercedia por essas supostas pessoas “boazinhas”. Como neste ano macabro tive o meu nome empatado em virtude de um divórcio, o meu nome de batismo e registo, tudo me foi difícil e tornei-me incomodativa porque tive tudo vedado, inclusive acesso a contas bancárias minhas e das organizações que representava. Não havendo pagamentos, não havendo dinheiro, não há amigos e as pessoas viram “monstros”. Esta é a realidade.

Como lutei contra muitos monstros no ano passado e realmente também eu virei monstro para lutar monstros, tive de me reinventar, tive de me reestruturar, analisar a minha vida e sobretudo ter endurance para continuar. Virei uma FENIX, tal e qual o pássaro da mitologia. FENIKS porque é como se diz em muitas tribos em África onde trabalhei e fui também voluntária. Por isso a mudança de nome.

FENIKS TODAY: sabemos que ponderaste fechar a FENIKS e, no entanto, com todas as dificuldades, ainda cá estás e ainda cá estamos. Como?

Anabela: Tínhamos como visão para a Conceitos do Mundo, no dia da sua criação, 8 de março de 2013, a educação para os direitos humanos, para criar um mundo mais justo, mais verdadeiro, com respeito pelos direitos humanos. A nossa visão era e é promover uma cultura de direitos humanos em Portugal.

No ano passado percebi que não queria estar no campo da reação, ou seja, lá à frente quando os direitos humanos são violados para depois agir após violação. Queremos estar atrás, na parte da dignidade e a promover a dignidade.

A FENIKS TODAY surge nesta sequência, ou seja, uma Magazine online informativa, mas também opinativa que aborde os direitos humanos de uma forma clara e verdadeira. Uma FENIKS TODAY consciente e que possa passar consciência e informação aos seus leitores e seguidores.

Só com boa formação e com boa informação poderemos ser melhores e mais informados.

FENIKS TODAY: Qual a maior contribuição que podes dar à FENIKS TODAY? E na tua opinião, qual a maior contribuição que os editores e autores podem dar?

Anabela: Penso que poderei dar por escrito e na prática as minhas experiências na área dos Direitos Humanos, com a minha humildade, conhecimento teórico-prático na mesma área. Penso que a contribuição dos editores e autores poderá ser nessa linha também: experiências e conhecimento teórico-prático.

FENIKS TODAY: A FENIKS trabalha desde 2014 com a Câmara Municipal do Seixal no projeto “Povos, Culturas e Pontes”. Qual a experiência que advém desse projeto e como tem corrido a parceria?

Anabela: Na verdade, é um enorme privilégio trabalhar com a Câmara Municipal do Seixal e com as pessoas do Divisão de Desenvolvimento Social e Cidadania. A abertura às nossas ideias, à nossa atuação é muito grande. Somos muito gratos à Câmara Municipal do Seixal pela parceria e pela confiança. Começámos em 2014 com o projeto “EIH! Educação Intercultural e Humana”, mais tarde desenvolvemos o projeto “17 Ações pelo meu Mundo” sobre os ODS – Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, depois novamente o projeto “EIH!” mas desta vez, “Estórias Interculturais e Humanas” e este ano, as “Escolas Interculturais e Humanas”. O balanço é muito positivo, muito mesmo. As crianças e jovens aprendem através de métodos ativos. Adorámos trabalhar nestes projetos. Trabalhar com crianças e jovens é a nossa vocação de facto.

FENIKS TODAY: Que outros projetos a FENIKS tem a decorrer neste momento?

Anabela: Para além da formação gratuita que fazemos para adultos, sobre cidadania, direitos humanos e interculturalidade (pequenos workshops), temos também a nossa atividade de formação profissional.

Para além da FENIKS TODAY, temos vários projetos mesmo no forno a ganhar forma de lançamento e que estão para muito muito cedo!

FENIKS TODAY: Já pensaram internacionalizar a FENIKS?

Anabela: Já. Perguntam-nos muit isso. No entanto, até a FENIKS ser 100% sustentável financeiramente em Portugal, não iremos abordar novos países, a não ser em projetos como parceiros (à semelhança do ERASMUS+).

FENIKS TODAY: A propósito do que referiste antes: é difícil ser associação em Portugal?

Anabela: É muito difícil. Somos “braços” do estado em assuntos que não sabe abordar, no entanto, não há apoios viáveis a ONGDs. Não a ONGDs pequenas. As organizações apoiadas são sempre as mesmas porque têm histórico de trabalho, e as pequenas (como a FENIKS) sofrem para sobreviver. É um processo. Vivemos desde 2013 sempre com fundos próprios da associação ou com fundos parcos de projetos aprovados com algumas instituições.

FENIKS TODAY: Anabela, ao chegar ao fim da nossa entrevista, tens alguma mensagem final que gostarias de deixar aos nossos seguidores e leitores?

Anabela: Sim. Contribuam, informem-se sobre os vossos direitos humanos, sigam-nos nas redes sociais, neste site, nos nossos projetos. E, se acha que poderá contribuir para esta FENIKS TODAY, escreva-nos, teremos o maior gosto em integrá-lo/a neste projeto!

Acima de tudo, façam o bem e antes disso, sintam-se bem. Nunca ajudarão ninguém se não estiverem vocês bem.

Obrigada Anabela pela entrevista. Votos de muito sucesso!

Entrevista realizada por Cristina Reis, autora da FENIKS TODAY.

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